2017-05-11

A Banca e a Economia Portuguesa - Factos, Causas e Consequências de um percurso de 20 Anos

Carlos Francisco F. Alves é Licenciado, Mestre e Doutor em Economia pela Universidade do Porto. É professor associado da Faculdade de Economia do Porto e também leciona na Porto Business School (PBS). ÉPresidente do Conselho Académico da PBS. Membro do Research Center inEconomics and Finance CEF.UP, e autor de mais de 70 publicações, incluindo vários livros e artigos científicos. Foi membro do Gabinete de Estudos da Bolsa de Valores do Porto, Diretor do Instituto Mercado de Capitais e colaborou com o XIIIGoverno Constitucional. Foi Presidente da Comissão de Fiscalização do INE, integrou a Direção da Associação Portuguesa de Analistas Financeiros, a Administração do Instituto Português de Corporate Governance e participou na comissão do Livro Branco Sobre Corporate Governance em Portugal. Por duas vezes, 1998/2000 e 2008/2016, foi Administrador da CMVM. Foi Presidente Committee for Economic and Markets Analysis da EuropeanSecurities and Markets Authority (ESMA), integrou o Supervisory Board da ESMA e o Conselho Geral do EuropeanSystemic Risk Board.

Carlos Tavares é Licenciado em Economia pela Faculdade de Economia do Porto, onde leccionou ente 1975 e 1985. Presidente da CMVMentre 2005 e 2016, Vice-Presidente da EuropeanSecurities and Markets Authority (ESMA) e Presidente do Comité Europeu de Reguladores de Valores Mobiliários (CESR). Foi membro do Board e Presidente do Comité Regional Europeu (ERC) e do Comité de Análise de Riscos Emergentes (CER) da IOSCO. Dirigiu, em 2004/2005 o Gabinete Europeu de Conselheiros de Política do Presidente da Comissão Europeia. Foi Ministro da Economia em 2002/2004 e S.E. do Tesouro em 1989/1991. Director do Gabinete de Análise do Financiamento do Estado e das Empresas Públicas e do Gabinete de Estudos do Ministério das Finanças e Assessor do Ministro das Finanças. Foi Vice-Presidente da CGD, Presidente do BNU, Vice-Presidente dos bancos Totta, Pinto e Sotto Mayor, Chemical e Santander de Negócios, Administrador do BPA, CISFe Crédito Predial Português, Presidente da UNICREe Administrador da SIBS, Presidente da Espaço Atlântico e membro do Gabinete de Estudos do BPA.



A BANCA E A ECONOMIA PORTUGUESA

Nos últimos 20 anos o sistema bancário português expandiu-se a um ritmo muito superior ao da actividade económica. Essa expansão assentou num significativo alargamento da rede de balcões tradicionais, ao mesmo tempo que se investia nos meios automáticos de banca à distância. Aforte expansão do crédito naquele período centrou-se essencialmente nos sectores de bens não transacionáveis internacionalmente e conduziu a uma elevada alavancagem que teve de ser corrigida depois de 2011. Além disso, foi acompanhada de um acréscimo do risco bancário, materializado a partir de 2007 no aumento drástico das provisões e imparidades registadas.
Estes factos traduziram-se, por um lado, num excesso de capacidade instalada, com indicadores de produtividade claramente desfavoráveis nas comparações internacionais e, por outro, numa penalização dos accionistas, estimando-se que a perda de valor económico entre 2001 e 2015 tenha ascendido a cerca de 40 mil milhões de euros.
Aafectação sectorial do crédito e do investimento, ao privilegiar os sectores de bens não transacionáveis e menos eficientes, reflectiu-se negativamente no desempenho da economia desde 2000. Um exercício contrafactual leva a concluir que, caso o investimento tivesse respeitado as condições mínimas de eficiência, a economia portuguesa poderia ter crescido, entre 2000 e 2015, mais 1,4 pontos percentuais por ano.


Uma situação como a vivida nos últimos anos não pode deixar de ser objeto de estudo aprofundado, com o principal objetivo de compreender as suas causas, e acima de tudo, contribuir para a sua correção. O pior cenário em termos de custos sociais seria, porventura, passar por esta crise sem tirar dela as ilações e os ensinamentos devidos e sem que sejam adotadas por todas as entidades responsáveis as medidas que minimizem a probabilidade de repetição de erros passados. É neste quadro que este livro procura dar um, contributo para a reflexão necessária, analisando de forma objetiva, fundamentada e quantificada as causas e as consequências da situação vivida pelo sistema bancário português.


A Banca e a  Economia Portuguesa - Factos, Causas e Consequências  de um percurso de 20 Anos
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