07 mar // 14 abr 2020

Fotografia 3 Autores — Aníbal Lemos, José M. Rodrigues, Virgílio Ferreira

Sala de Exposições Temporárias

A exposição “Fotografia 3 Autores” vai poder ser visitada na Sala de Exposições Temporárias do Lugar do Desenho de 7 de março a 18 de abril de 2020. A exposição que esteve patente na Fundação Júlio Resende em julho de 1999, retorna 20 anos depois com o intuito de homenagear e evidenciar a capacidade dos artífices ourives de Gondomar.

A Arte e a Indústria: Ourivesaria, Gondomar, Contemporaneidade foi o tema da visão fotográfica dos três reconhecidos fotógrafos convidados: Aníbal Lemos, José Manuel Rodrigues e Virgílio Ferreira.

O seu registo em três óticas não deixa de significar o apreço pelo trabalho que uma tradição mantém, por vezes, como o cumprimento de um destino.

Virgílio Ferreira é mestre em Fotografia pela Universidade de Brighton, Reino Unido. É o fundador e diretor artístico da Plataforma Ci.CLO e da Bienal Fotografia do Porto. Enquanto artista, o seu trabalho tem sido exposto na Europa, Médio Oriente, Estados Unidos e Sudeste Asiático.

José M. Rodrigues nasceu em Lisboa em 1951. Viveu em Paris, França (1968/1969) e nos Países Baixos entre 1969 e 1993. Nos Países Baixos estudou fotografia nas Escolas de Fotografia em Haia e de Apeldoorn (1975-1989).

Aníbal Lemos é natural e residente em Salreu. Professor, fotógrafo e investigador em Fotografia.
Concluiu na Universidade de Derby, Inglaterra, o Mestrado (1998) e o Doutoramento (2006).
Leciona atualmente na Universidade Europeia, Lisboa.

“O papel do artista criativo é esse: mostrar-nos o que não vemos, o que é indisível. Modernas e com o seu indispensável toque de artesanato, estas oficinas de Gondomar, meio fábricas, meio laboratório de alquimista, trazem-nos à memória as lendas e as realidades do ouro e das suas minas, da riqueza dos seus campos e de muita gente. Mostram-nos como, ao lado de labirintos celtas, marcados ainda pelo seu sentido icónico, de trajectos de um Sol que deixou de ser sagrado, mesmo dos modelos barrocos e neo-clássicos que ainda mostram mais que muitos a finura do trabalho e o excesso da riqueza, outros objectos podem ser criados, marcados pelo imaginário que conquistou o sistema solar e já pensa em conquistar as estrelas. Mas os fotógrafos sabem mais ainda, e por isso estas imagens são sínteses construídas por aquelas pequenas racionalidades e pequenas intuições que falam da complexidade da cultura e do homem, onde se entretecem mitos e medos milenários com o prosaico do quotidiano, onde a festa do feérico da luz volta a ser um ritual sagrado e a mão do homem o fundamento da sua humanidade e da sua criação.”
Maria do Carmo Serén (1999)

“No Porto, ao longo das últimas décadas, assiste-se a um alargamento das tradicionais oficinas pela necessidade de mecanizar algumas linhas de produção desta indústria com vista a um aumento quantitativo. No entanto, não deixaram de prescindir da existência de um número considerável de mão-de-obra manual , porque a riqueza criativa desta arte, entendida como tal, depende intimamente da iniciativa e da sensibilidade do homem. As oficinas de Travassos e Gondomar exercem preferencialmente a indústria da filigrana destinada a um mercado específico desde o século XIX — a joalharia de carácter popular. A persistência da tradição desta arte em Travassos e Gondomar deve-se sobretudo ao arcaísmo dos modelos produtivos caracterizados em moldes da antiga indústria caseira manual, inserida em pequenas comunidades. Os centros de fabrico existentes são hoje os redutos de uma ancestralidade milenar que compete a todos nós preservar, encarando o histórico, como um exercício de recriação, de reinvenção e actualizando-o à linguagem contemporânea!”
Fátima Macedo (1999)

Excertos do catálogo da exposição “Fotografia 3 Autores” (1999).


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Aníbal Lemos
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