18 mai // 23 ago 2021

JÚLIO RESENDE — PERCURSOS

Galeria Museológica do Fórum Cultural de Ermesinde

Em jeito de confissão
O objecto da minha busca? Talvez a conciliação de duas coisas aparentemente inconciliáveis. Encontrar a forma que se ajuste ao «sentir» e à «reflexão».
A verdade é que os analistas afirmam que a minha obra deixa transparecer um expressionismo lírico. Quem primeiro o disse foi um crítico flamengo, já vai para 36 anos.
Se o expressionismo em mim, não é deliberado, o lirismo talvez aconteça por razões subjacentes a todo um povo, tido como absorto na neblina Atlântica, como parece ser o caso português.
Provavelmente é isso.
Ambivalência no sentir e no reflectir responsável por inúmeras hesitações de percurso, certamente, mas até justificáveis numa investigação criativa que assenta num propósito de autenticidade de que não abdico e do qual nunca me afastei.
A prova disso é que, no tempo, passei ao lado neo-realismo (anos 40), do abstraccionismo (anos 47/48) e dos demais «ismos», se não sobranceiramente, pelo menos sempre fiel ao sentir e à reflexão estética que comigo nasceu.
Admito pois, que me coloquem no «Index» de uma contemporaneidade marcada pela indefinição própria do «efémero», do «minimalismo» ainda que credíveis, mas até de toda a «fumisterie» consequentemente da sociedade de consumo. Admito ainda o testemunho estético dessa contemporaneidade apesar da sua vertigem dificultar uma demarcação temporal. Não será que, em rigor, oito dias bastem para o contemporâneo deixar de o ser?
Mais tarde o analista da História de Arte responderá.
Torna-se muito claro que não faço da pintura qualquer objecto especulativo, embora aceite e possa compreender que outros o façam.
Sou apenas um pintor plástico.

A inauguração decorre a 18 de maio (terça-feira), pelas 21:00, na Galeria Museológica do Fórum Cultural de Ermesinde
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